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CET: o número que mostra quanto um empréstimo custa de verdade

Entenda o que entra no Custo Efetivo Total, por que ele vem em taxa ao ano e como comparar duas ofertas de crédito em que a de juros menores pode custar mais.

  • Por Redação Investindo com Pouco
  • Atualizado em
  • 5 min de leitura
  • Nível iniciante

O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que junta tudo o que você paga num empréstimo: juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas. É ele, e não a taxa de juros sozinha, que diz qual oferta sai mais barata. Por regra do Conselho Monetário Nacional (CMN), o banco tem que mostrar o CET antes de você contratar.

Qual é a regra e para quem vale

O CET é regulado pela Resolução CMN 4.881/2020, em vigor desde fevereiro de 2021. Ela substituiu a antiga Resolução 3.517/2007, que ainda aparece em textos antigos na internet.

A regra vale para crédito e arrendamento mercantil (o leasing) oferecidos por instituições financeiras a:

  • pessoas físicas;
  • empresários individuais;
  • microempresas e empresas de pequeno porte.

Ficam de fora o crédito rural e os repasses de recursos externos.

O que entra no CET

Pela resolução, o cálculo tem que incluir o valor do crédito e tudo o que for cobrado de você por causa da operação:

  • amortizações: a parte da parcela que devolve o dinheiro emprestado;
  • juros: o preço de usar o dinheiro do banco;
  • tarifas: como a de cadastro, quando cobrada;
  • tributos: como o IOF (imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro), que incide sobre operações de crédito de instituições financeiras e é pago por quem toma o crédito, conforme o Decreto 6.306/2007;
  • seguros: quando vinculados ao crédito;
  • outras despesas ligadas à operação, inclusive serviços de terceiros que o banco contrata e cobra de você, mesmo que não estejam somados ao valor emprestado.

Se o empréstimo for corrigido por um índice que muda com o tempo, como uma taxa flutuante ou um índice de inflação, esse índice não entra no CET. Ele tem que aparecer separado no demonstrativo. Nesse caso, o custo final pode ficar diferente do CET informado.

Por que o CET vem ao ano

A resolução manda mostrar o CET como taxa percentual anual, com duas casas decimais. Isso facilita a comparação: todas as ofertas ficam na mesma unidade.

Muita oferta, porém, anuncia os juros ao mês. Antes de comparar, converta. O guia juros ao mês e ao ano mostra a conta e uma tabela pronta.

No cheque especial, no cartão rotativo e em outros créditos parecidos, o CET é calculado num cenário padrão: prazo de 30 dias e uso do limite contratado.

Exemplo: a oferta de juros menores que custa mais

Os números abaixo são inventados para mostrar a lógica. Você precisa de R$ 1.000 e recebe duas propostas de 12 parcelas fixas:

  • Proposta A: juros de 2,5% ao mês, sem tarifa nem seguro. Você recebe R$ 1.000.
  • Proposta B: juros de 2% ao mês, mas com R$ 100 de tarifa e seguro descontados na liberação. O contrato é de R$ 1.000, e você recebe R$ 900.
Proposta A Proposta B
Juros ao mês 2,5% 2%
Dinheiro que cai na conta R$ 1.000 R$ 900
Parcela R$ 97,49 R$ 94,56
Total pago em 12 meses R$ 1.169,88 R$ 1.134,72
Quanto você paga além do que recebeu R$ 169,88 R$ 234,72
Custo efetivo aproximado ao mês 2,50% 3,76%
Custo efetivo aproximado ao ano cerca de 34,5% cerca de 55,7%

A proposta B tem juros menores e parcela menor. Mesmo assim, você recebe R$ 100 a menos e devolve quase o mesmo valor. O custo real dela fica bem acima do da A.

Faça a conta de outro jeito para confirmar. Na proposta A, cada R$ 100 que você recebe custam cerca de R$ 17 a mais no fim. Na B, cada R$ 100 recebidos custam cerca de R$ 26 a mais. A parcela menor da B só parece vantagem porque o desconto na liberação fica escondido no começo, quando o dinheiro cai na conta já menor do que o valor do contrato.

Neste exemplo simplificado, o custo foi calculado mês a mês. O CET oficial usa uma fórmula em dias corridos, então o número do banco pode sair um pouco diferente, mas a conclusão é a mesma: compare pelo CET.

Onde o CET aparece

  • Antes de contratar: o banco tem que informar o CET e apresentar o demonstrativo do cálculo. O demonstrativo mostra, em reais, cada parte do que você vai pagar, o peso de cada uma no total e a soma das parcelas.
  • No contrato: o demonstrativo tem que estar em destaque.
  • Na propaganda: se o anúncio mostra a taxa de juros, ele também tem que mostrar o CET.

Por isso, olhe sempre o CET e compare com outras propostas. Se alguém oferece crédito e não mostra o CET, ou só fala da parcela, desconfie. Se ainda por cima pede um pagamento antes de liberar o dinheiro, leia o guia sobre o golpe do empréstimo com depósito antecipado.

Como comparar duas ofertas na prática

  1. Peça a simulação completa das duas, com o mesmo valor e o mesmo prazo.
  2. Anote, de cada uma, o CET ao ano, o valor que cai na conta e o total a pagar.
  3. Veja o que está embutido: tarifa, seguro ou serviço extra. Pergunte se cada item é opcional.
  4. Fique com a oferta de menor CET que caiba no seu orçamento, mês a mês.

Para conferir a parcela, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, simula financiamento com prestações fixas. O próprio Banco Central avisa que ela não confere o cálculo do banco, porque seguros e outros encargos podem ficar de fora. Se a ideia é juntar dívidas num empréstimo só, o guia sobre empréstimo para quitar dívidas ajuda a decidir antes.

Próximos passos

  • Antes de qualquer crédito, peça o CET ao ano e o demonstrativo por escrito.
  • Compare as ofertas pelo CET e pelo valor que cai na conta, não pela parcela.
  • Pergunte, item por item, quais tarifas e seguros são opcionais.
  • Refaça a simulação sem os itens opcionais e veja o novo CET.
  • Guarde o contrato e o demonstrativo de qualquer crédito que você já tenha.

Perguntas frequentes

CET e taxa de juros são a mesma coisa?
Não. A taxa de juros é só uma parte do preço. O CET junta juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas ligadas ao empréstimo numa taxa só, mostrada ao ano. Por isso ele quase sempre fica acima da taxa de juros.
O banco pode se recusar a informar o CET?
Não. A Resolução CMN 4.881/2020 obriga a instituição a informar o CET antes da contratação e a mostrar o demonstrativo do cálculo. Se não informarem, peça por escrito e registre a recusa no atendimento ou na ouvidoria do banco.
Posso tirar o seguro para baixar o CET?
Pergunte se o seguro é opcional e peça uma nova simulação sem ele. Se o seguro sair, o CET da nova simulação deve mudar. Compare as duas versões antes de decidir.

Fontes oficiais consultadas

Antes de decidir. Este guia é educativo e não substitui orientação profissional. Regras, taxas e valores mudam: confira sempre o que vale hoje na fonte oficial. Este site não vende produto financeiro, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituição. Leia o aviso legal.
Redação Investindo com Pouco

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