CET: o número que mostra quanto um empréstimo custa de verdade
Entenda o que entra no Custo Efetivo Total, por que ele vem em taxa ao ano e como comparar duas ofertas de crédito em que a de juros menores pode custar mais.
O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que junta tudo o que você paga num empréstimo: juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas. É ele, e não a taxa de juros sozinha, que diz qual oferta sai mais barata. Por regra do Conselho Monetário Nacional (CMN), o banco tem que mostrar o CET antes de você contratar.
Qual é a regra e para quem vale
O CET é regulado pela Resolução CMN 4.881/2020, em vigor desde fevereiro de 2021. Ela substituiu a antiga Resolução 3.517/2007, que ainda aparece em textos antigos na internet.
A regra vale para crédito e arrendamento mercantil (o leasing) oferecidos por instituições financeiras a:
- pessoas físicas;
- empresários individuais;
- microempresas e empresas de pequeno porte.
Ficam de fora o crédito rural e os repasses de recursos externos.
O que entra no CET
Pela resolução, o cálculo tem que incluir o valor do crédito e tudo o que for cobrado de você por causa da operação:
- amortizações: a parte da parcela que devolve o dinheiro emprestado;
- juros: o preço de usar o dinheiro do banco;
- tarifas: como a de cadastro, quando cobrada;
- tributos: como o IOF (imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro), que incide sobre operações de crédito de instituições financeiras e é pago por quem toma o crédito, conforme o Decreto 6.306/2007;
- seguros: quando vinculados ao crédito;
- outras despesas ligadas à operação, inclusive serviços de terceiros que o banco contrata e cobra de você, mesmo que não estejam somados ao valor emprestado.
Se o empréstimo for corrigido por um índice que muda com o tempo, como uma taxa flutuante ou um índice de inflação, esse índice não entra no CET. Ele tem que aparecer separado no demonstrativo. Nesse caso, o custo final pode ficar diferente do CET informado.
Por que o CET vem ao ano
A resolução manda mostrar o CET como taxa percentual anual, com duas casas decimais. Isso facilita a comparação: todas as ofertas ficam na mesma unidade.
Muita oferta, porém, anuncia os juros ao mês. Antes de comparar, converta. O guia juros ao mês e ao ano mostra a conta e uma tabela pronta.
No cheque especial, no cartão rotativo e em outros créditos parecidos, o CET é calculado num cenário padrão: prazo de 30 dias e uso do limite contratado.
Exemplo: a oferta de juros menores que custa mais
Os números abaixo são inventados para mostrar a lógica. Você precisa de R$ 1.000 e recebe duas propostas de 12 parcelas fixas:
- Proposta A: juros de 2,5% ao mês, sem tarifa nem seguro. Você recebe R$ 1.000.
- Proposta B: juros de 2% ao mês, mas com R$ 100 de tarifa e seguro descontados na liberação. O contrato é de R$ 1.000, e você recebe R$ 900.
| Proposta A | Proposta B | |
|---|---|---|
| Juros ao mês | 2,5% | 2% |
| Dinheiro que cai na conta | R$ 1.000 | R$ 900 |
| Parcela | R$ 97,49 | R$ 94,56 |
| Total pago em 12 meses | R$ 1.169,88 | R$ 1.134,72 |
| Quanto você paga além do que recebeu | R$ 169,88 | R$ 234,72 |
| Custo efetivo aproximado ao mês | 2,50% | 3,76% |
| Custo efetivo aproximado ao ano | cerca de 34,5% | cerca de 55,7% |
A proposta B tem juros menores e parcela menor. Mesmo assim, você recebe R$ 100 a menos e devolve quase o mesmo valor. O custo real dela fica bem acima do da A.
Faça a conta de outro jeito para confirmar. Na proposta A, cada R$ 100 que você recebe custam cerca de R$ 17 a mais no fim. Na B, cada R$ 100 recebidos custam cerca de R$ 26 a mais. A parcela menor da B só parece vantagem porque o desconto na liberação fica escondido no começo, quando o dinheiro cai na conta já menor do que o valor do contrato.
Neste exemplo simplificado, o custo foi calculado mês a mês. O CET oficial usa uma fórmula em dias corridos, então o número do banco pode sair um pouco diferente, mas a conclusão é a mesma: compare pelo CET.
Onde o CET aparece
- Antes de contratar: o banco tem que informar o CET e apresentar o demonstrativo do cálculo. O demonstrativo mostra, em reais, cada parte do que você vai pagar, o peso de cada uma no total e a soma das parcelas.
- No contrato: o demonstrativo tem que estar em destaque.
- Na propaganda: se o anúncio mostra a taxa de juros, ele também tem que mostrar o CET.
Por isso, olhe sempre o CET e compare com outras propostas. Se alguém oferece crédito e não mostra o CET, ou só fala da parcela, desconfie. Se ainda por cima pede um pagamento antes de liberar o dinheiro, leia o guia sobre o golpe do empréstimo com depósito antecipado.
Como comparar duas ofertas na prática
- Peça a simulação completa das duas, com o mesmo valor e o mesmo prazo.
- Anote, de cada uma, o CET ao ano, o valor que cai na conta e o total a pagar.
- Veja o que está embutido: tarifa, seguro ou serviço extra. Pergunte se cada item é opcional.
- Fique com a oferta de menor CET que caiba no seu orçamento, mês a mês.
Para conferir a parcela, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, simula financiamento com prestações fixas. O próprio Banco Central avisa que ela não confere o cálculo do banco, porque seguros e outros encargos podem ficar de fora. Se a ideia é juntar dívidas num empréstimo só, o guia sobre empréstimo para quitar dívidas ajuda a decidir antes.
Próximos passos
- Antes de qualquer crédito, peça o CET ao ano e o demonstrativo por escrito.
- Compare as ofertas pelo CET e pelo valor que cai na conta, não pela parcela.
- Pergunte, item por item, quais tarifas e seguros são opcionais.
- Refaça a simulação sem os itens opcionais e veja o novo CET.
- Guarde o contrato e o demonstrativo de qualquer crédito que você já tenha.
Perguntas frequentes
CET e taxa de juros são a mesma coisa?
O banco pode se recusar a informar o CET?
Posso tirar o seguro para baixar o CET?
Fontes oficiais consultadas
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