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Conta sem tarifa: os serviços que o banco não pode cobrar

Veja quais serviços da conta corrente e da poupança são grátis por regra do Banco Central, quando o Pix pode ser cobrado e como sair do pacote de tarifas.

  • Por Redação Investindo com Pouco
  • Atualizado em
  • 6 min de leitura
  • Nível iniciante

Você não é obrigado a pagar pacote de tarifas para ter conta. A Resolução 3.919/2010 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que segue em vigor, proíbe o banco de cobrar de pessoa física um grupo de serviços chamados essenciais. O pacote é uma escolha sua, e você pode cancelar quando quiser.

O que é grátis na conta corrente

Na linguagem do Banco Central, conta corrente é "conta de depósitos à vista". Nela, o banco não pode cobrar por estes serviços:

Serviço Quantidade grátis
Cartão de débito 1 cartão
Segunda via do cartão de débito grátis, menos em perda, roubo, furto, dano ou outro motivo que não seja culpa do banco
Saques no guichê ou no caixa eletrônico, inclusive com cheque 4 por mês
Transferências para contas do mesmo banco 2 por mês
Extrato dos últimos 30 dias no guichê ou no caixa eletrônico 2 por mês
Consultas pela internet sem limite
Compensação de cheques sem limite
Folhas de cheque, se você cumprir os requisitos para usar cheque 10 por mês
Extrato do ano anterior com tarifas, juros e encargos pagos 1 por ano, até 28 de fevereiro

Três detalhes da regra ajudam a não pagar sem perceber. A contagem é por conta, não por titular: numa conta conjunta, os 4 saques valem para todos juntos. O que você não usou num mês não passa para o seguinte. E vários saques no caixa eletrônico dentro de 30 minutos contam como um só.

O que é grátis na poupança

A poupança também tem um pacote mínimo sem custo:

  • cartão para movimentar a conta e a segunda via, com as mesmas exceções do cartão de débito;
  • 2 saques por mês no guichê ou no caixa eletrônico;
  • 2 transferências por mês para outra conta sua;
  • 2 extratos por mês com os últimos 30 dias;
  • consultas pela internet sem limite;
  • o extrato anual com o que foi cobrado no ano anterior.

Conta só digital: o que muda

Se o contrato diz que a conta é movimentada só por meios eletrônicos, qualquer serviço feito por caixa eletrônico, internet ou atendimento telefônico automático é grátis, sem limite de quantidade.

O outro lado da regra: se você escolher ir ao guichê ou a um correspondente bancário quando dava para fazer pelo app, saque, transferência e extrato podem ser cobrados desde a primeira vez. Se o canal eletrônico estiver fora do ar, ou se o serviço não puder ser feito por ele, o atendimento presencial não pode ser cobrado.

E o Pix?

Em regra, pessoa física não paga para fazer nem para receber Pix. O Banco Central lista as poucas situações em que pode haver tarifa:

  • ao fazer um Pix pelo guichê ou por telefone com atendente, quando o app estava disponível;
  • ao receber mais de 30 Pix no mês, ou receber por aproximação, por QR Code dinâmico ou por QR Code de um pagador empresa, situações que o Banco Central trata como sinal de venda;
  • Pix Saque e Pix Troco têm regra própria: até 8 por mês são grátis, e o banco pode descontar desse total até 4 saques comuns.

Quem é microempreendedor individual (MEI) segue as mesmas regras de pessoa física no Pix. Essas regras são definidas pelo Banco Central e podem mudar, então confira a versão atual nas perguntas frequentes sobre Pix no site dele.

O pacote de tarifas é opcional

A resolução diz que é direito do cliente usar e pagar só os serviços avulsos que passarem do limite gratuito. O pacote precisa de um contrato próprio, e a Resolução CMN 4.196/2013 manda o banco deixar claro que ele é opcional. Pelo Banco Central, o cancelamento pode ser pedido a qualquer momento.

Antes de aumentar uma tarifa ou criar uma nova, o banco tem que divulgar a mudança com pelo menos 30 dias de antecedência (45 dias no caso de cartão de crédito). E toda tarifa precisa aparecer no extrato com nome claro.

Faça a conta com seus números. Imagine um pacote de R$ 30 por mês, valor inventado só para o exemplo. Em um ano, são 12 vezes R$ 30, ou seja, R$ 360. Se no seu mês você usa cartão de débito, Pix pelo app e um ou dois saques, esse uso cabe nos serviços essenciais e nas regras de Pix grátis, e esses R$ 360 podem ficar com você.

Para saber quanto você pagou de verdade, peça o extrato anual que o banco tem que entregar até 28 de fevereiro. Ele mostra, mês a mês, as tarifas cobradas no ano anterior. Se o dinheiro some e você não sabe para onde, o guia sobre descobrir para onde vai o salário ajuda a enxergar esses gastos pequenos.

Como trocar para a conta sem pacote

  1. Abra o extrato e anote o nome e o valor de cada tarifa cobrada.
  2. Peça ao banco, pelo app, pelo telefone ou na agência, o cancelamento do pacote e a manutenção da conta só com os serviços essenciais.
  3. Anote o número de protocolo, a data e o canal usado.
  4. Confira o extrato do mês seguinte para ver se a cobrança parou.

O banco é obrigado a mostrar, no site e nas agências, a tabela dos serviços que não podem ser cobrados. Se você recebe o salário por uma conta aberta pela empresa, as regras são outras: veja o guia da conta-salário.

Se o banco não resolver

Siga esta ordem e guarde os protocolos de cada etapa:

  1. Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do banco: registre o pedido e anote o número.
  2. Ouvidoria do banco: é o canal responsável por mediar conflitos com o cliente. Segundo o Banco Central, em muitos casos ela resolve mais rápido.
  3. Banco Central: pelo site, registre a reclamação. O Banco Central não resolve casos individuais, mas envia a reclamação ao banco, que pode levar até 10 dias úteis para responder, e usa os dados na fiscalização.
  4. Consumidor.gov.br e Procon: são outros caminhos públicos e gratuitos. No Consumidor.gov.br, a empresa precisa estar cadastrada na plataforma.

Próximos passos

  • Abra o extrato de hoje e some as tarifas cobradas no último mês.
  • Peça o extrato anual de tarifas do ano passado.
  • Se você não usa o que o pacote oferece, peça o cancelamento e guarde o protocolo.
  • Confira se o seu uso de Pix cabe nas regras de gratuidade da pessoa física.
  • Antes de qualquer crédito oferecido pelo banco, entenda como converter juros ao mês e ao ano.

Perguntas frequentes

O banco pode cobrar tarifa de manutenção se eu não tiver pacote?
Os serviços essenciais da conta corrente e da poupança não podem ser cobrados de pessoa física. Fora deles, a cobrança precisa estar prevista no contrato ou ter sido pedida ou autorizada por você, como um serviço além do limite gratuito ou um pacote contratado. Se aparecer cobrança mensal que você não reconhece, peça ao banco o nome da tarifa e o contrato que a prevê.
Tarifa cobrada sem eu ter pedido pode ser devolvida?
Pela regra do Conselho Monetário Nacional, a tarifa precisa estar no contrato ou ter sido pedida ou autorizada por você. Se apareceu algo que você não contratou, peça a explicação e a devolução no atendimento do banco e, se não resolver, na ouvidoria. O resultado depende da análise de cada caso.
Se eu abrir conta sem pacote o banco pode recusar?
O pacote é uma opção, não uma condição. O banco tem que deixar claro no contrato que você pode usar e pagar só serviços avulsos. Se ouvir que o pacote é obrigatório, registre a reclamação no banco e, depois, no Banco Central.

Fontes oficiais consultadas

Antes de decidir. Este guia é educativo e não substitui orientação profissional. Regras, taxas e valores mudam: confira sempre o que vale hoje na fonte oficial. Este site não vende produto financeiro, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituição. Leia o aviso legal.
Redação Investindo com Pouco

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