Empréstimo que pede depósito antes: como reconhecer o golpe
Veja os sinais do golpe do empréstimo que pede pagamento antes da liberação, como checar se a empresa é autorizada e o que fazer se você já pagou a falsa taxa.
Se pediram dinheiro antes de liberar o empréstimo, pare. O Banco Central alerta que instituições financeiras autorizadas não exigem pagamentos prévios, especialmente em favor de terceiros, para conceder crédito. Taxa de liberação, depósito de garantia ou "IOF adiantado" (o IOF é um imposto sobre operações de crédito) pago por Pix ou boleto é o sinal clássico desse golpe.
Como o golpe funciona
O Banco Central descreve o roteiro assim. Aparece uma oferta de crédito fácil, com juros abaixo do normal e sem as exigências de um banco. Para "liberar" o valor, pedem um adiantamento: pagar um cadastro, uma garantia, o IOF ou uma suposta taxa para o Banco Central liberar o dinheiro.
Você paga, e o contato some. Fica sem o adiantamento e sem o empréstimo. Segundo o Banco Central, o golpista costuma agir quando a pessoa está fragilizada, por exemplo negativada e precisando de dinheiro rápido.
Os sinais de alerta
Desconfie quando aparecer qualquer um destes pontos:
- Pagamento antes da liberação, seja depósito, Pix, boleto ou transferência. O Banco Central recomenda nunca fazer depósito inicial para obter empréstimo, principalmente em conta de pessoa física.
- Crédito fácil demais: dispensa avalista, diz que não consulta cadastros de inadimplentes ou oferece crédito a quem está negativado sem nenhuma análise.
- Juros bem abaixo do mercado, sem explicação.
- Oferta por link ou mensagem de empresa que você não conhece, sem sede ou endereço que dê para conferir.
- Uso de nomes oficiais: citam bancos conhecidos, servidores do Banco Central ou números de normas para parecer verdade.
- Pressa: "a oferta acaba hoje", "o crédito é cancelado se não pagar agora". O Banco Central orienta desconfiar de urgência, pressão e promessa de vantagem.
Num exemplo inventado, a conta do prejuízo
Imagine uma oferta de R$ 2.000. Primeiro, pedem R$ 200 de "taxa de liberação". Depois, R$ 300 de "seguro". Somando, R$ 500 saíram do seu bolso, um quarto do valor prometido, e nenhum real de empréstimo entrou.
Agora compare com um crédito de verdade. Pela Resolução 4.881/2020 do Conselho Monetário Nacional (CMN), juros, tarifas, impostos como o IOF e seguros entram no Custo Efetivo Total, o CET, que o banco tem que informar antes de você assinar, com um demonstrativo em reais de cada item. Custo de verdade aparece por escrito no demonstrativo, não num pedido de Pix urgente.
Como checar se a empresa é autorizada
- Peça o nome completo e o CNPJ de quem está oferecendo o crédito.
- Procure esse nome na página "Encontre uma instituição", no site do Banco Central. Ela lista as instituições autorizadas, reguladas ou supervisionadas e mostra dados de cadastro e canais de atendimento.
- Se a empresa estiver na lista, não use o telefone ou o link que mandaram. Procure você mesmo o canal oficial e confirme se a oferta existe.
- Se não achar a empresa, não continue a conversa.
Ser autorizada não quer dizer que a oferta é boa. Quer dizer só que você está falando com uma instituição de verdade, e que ainda vale comparar o CET com outras propostas.
E o correspondente bancário?
Correspondente é uma empresa contratada por um banco para atender em nome dele, por exemplo para encaminhar propostas de crédito. As regras estão na Resolução CMN 4.935/2021:
- o correspondente atua por conta do banco que o contratou, e esse banco responde pelo atendimento;
- ele precisa informar ao público de qual instituição é prestador de serviço, com os canais de contato dela, inclusive a ouvidoria;
- ele não pode cobrar, em benefício próprio, nenhum valor ligado ao crédito do banco;
- no crédito pessoal, o contrato do correspondente prevê que o dinheiro seja liberado pela instituição a favor de quem tomou o empréstimo;
- o banco tem que manter no próprio site a lista dos seus correspondentes.
Se alguém diz ser correspondente, confira na lista do banco e ligue para o banco pelos canais oficiais antes de mandar qualquer documento.
Se você já pagou
Aja rápido e guarde todos os comprovantes, prints e números de telefone.
- Se pagou por Pix: abra o app do seu banco e conteste a transação para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Todas as instituições têm que oferecer esse serviço no app. O pedido pode ser feito em até 80 dias, mas quanto antes, melhor. Os valores na conta de quem recebeu podem ser bloqueados e analisados. O Banco Central avisa: o MED não garante a devolução, que depende de haver saldo na conta do fraudador.
- Se pagou por boleto: fale com o seu banco o quanto antes e peça que o valor não seja repassado. Se o pagamento já foi processado, registre reclamação no Banco Central contra a instituição de quem recebeu, com o boleto e o comprovante.
- Registre boletim de ocorrência na polícia. No Pix, o MED pode ser pedido antes mesmo do boletim.
- Se o seu banco não ajudar, reclame na ouvidoria dele e, depois, no Banco Central. O Procon e o Consumidor.gov.br (quando o banco está cadastrado na plataforma) são outros caminhos gratuitos.
- Se você mandou documentos ou selfie, ative o BC Protege+, no Meu BC, um serviço do Banco Central contra a abertura de contas fraudulentas em seu nome. No Registrato, também do Banco Central, dá para ver as contas e chaves Pix ligadas ao seu CPF.
Se o aperto que levou você a buscar crédito continua, o guia sobre empréstimo para quitar dívidas ajuda a pensar antes de contratar. Se as parcelas já não cabem junto com o básico do mês, veja como funciona o pedido de renegociação por superendividamento.
Próximos passos
- Se tem uma oferta aberta agora, procure a empresa na página "Encontre uma instituição" antes de responder.
- Não faça nenhum pagamento para liberar crédito, nem para "garantia" ou "imposto".
- Se já pagou por Pix, acione o MED no app do seu banco hoje.
- Guarde prints, comprovantes e números e registre o boletim de ocorrência.
- Ative as notificações de movimentação no app do seu banco.
Perguntas frequentes
Empréstimo de verdade pede pagamento antes de liberar o dinheiro?
Paguei a taxa por Pix. Consigo o dinheiro de volta?
Como sei se a empresa que me ligou é autorizada?
O golpista usou o nome de um banco conhecido. O que eu faço?
Fontes oficiais consultadas
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