Dividir o salário em potes: o método dos envelopes no dia a dia
Como separar o salário em potes no dia do pagamento, com envelope de papel ou dentro da conta, quantos potes ter e o que fazer quando um deles acaba cedo.
Dividir o salário em potes é separar, no dia em que o dinheiro cai, um valor para cada tipo de gasto do mês, e gastar de cada pote só o que está nele. Dá para fazer com envelopes de papel ou com separações dentro da conta e Pix agendado. O que importa é a regra: acabou o pote, acabou aquele gasto no mês.
Por que separar funciona melhor do que só anotar
Quando todo o salário fica junto, qualquer saldo parece disponível. O dinheiro do gás vira o lanche de hoje, e no dia 20 falta para a conta de luz. Separar tira essa ilusão: você enxerga quanto ainda tem para cada coisa, sem precisar fazer conta de cabeça.
O Banco Central, no material de educação financeira, recomenda pagar a si mesmo primeiro: reservar no dia do salário o valor que você quer guardar e tratar esse valor como despesa fixa. Os potes levam a mesma ideia para todas as contas do mês.
Quantos potes ter
Poucos. Entre quatro e seis potes costuma bastar; com mais do que isso, a pessoa se perde e desiste. Uma divisão que serve como ponto de partida:
- Casa e contas fixas: aluguel, luz, água, gás, internet.
- Comida: mercado, feira, padaria.
- Transporte: passagem ou combustível.
- Dívidas: parcelas e acordos.
- Imprevistos: remédio, conserto, aquele gasto que ninguém planeja.
- Livre: o seu dinheiro para gastar sem culpa.
O pote livre parece luxo, mas é ele que segura o método. Sem nenhuma folga, a pessoa acaba assaltando os outros potes. Se a sua renda muda todo mês, leia antes o guia sobre renda que muda todo mês para achar o valor que você pode dividir.
Exemplo: um salário dividido em seis potes
Imagine um salário de R$ 2.000 (valor redondo, só para a conta ficar fácil):
| Pote | Valor | Parte do salário |
|---|---|---|
| Casa e contas fixas | R$ 900 | 45% |
| Comida | R$ 500 | 25% |
| Transporte | R$ 200 | 10% |
| Dívidas | R$ 200 | 10% |
| Imprevistos | R$ 100 | 5% |
| Livre | R$ 100 | 5% |
| Total | R$ 2.000 | 100% |
O pote da comida pode ser dividido por semana: R$ 500 em quatro envelopes de R$ 125. Como quase todo mês passa um pouco de quatro semanas, deixe um trocado do pote livre para os dias que sobram.
Esses percentuais não são regra. São um começo, e os seus vêm do que você descobrir sobre os seus próprios gastos. Se ainda não sabe quanto vai para cada coisa, comece pelo guia sobre para onde vai o dinheiro.
Versão de papel: envelopes de verdade
No dia do pagamento, separe em dinheiro o valor dos potes do dia a dia e coloque cada parte num envelope com o nome escrito por fora. O envelope tem uma vantagem que a tela não tem: você vê o dinheiro diminuir e sente quando está chegando ao fim.
No fim de cada semana, conte o que sobrou em cada envelope e anote. Esse número mostra, no mês seguinte, quais potes ficaram grandes demais e quais ficaram pequenos.
Para não guardar muito dinheiro vivo em casa, use papel só para comida, transporte e pote livre. Aluguel, luz, água e parcelas ficam na conta e são pagos por boleto ou Pix.
Versão digital: separar dentro da conta e agendar
Quem não usa dinheiro vivo pode montar os potes no próprio banco:
- Separações dentro da conta. Alguns bancos deixam guardar valores em espaços separados do saldo principal, e cada espaço vira um pote. Se o espaço rende, entenda antes onde o dinheiro fica aplicado; o guia sobre caixinha do banco digital explica.
- Uma segunda conta. Uma conta só para as contas fixas e outra para o dia a dia já resolvem boa parte.
- Pix agendado. Segundo o Banco Central, dá para programar um Pix para uma data futura, de forma única ou recorrente, sem tarifa, e cancelar até o dia anterior. Agende para o dia do salário as transferências de cada pote.
- Pix Automático. Serve para contas recorrentes de empresas, como luz, telefone, escola e assinaturas. Você autoriza uma vez e define regras, como o valor máximo de cada cobrança; o banco avisa antes de cada pagamento, e a autorização pode ser cancelada no aplicativo.
Atenção a um detalhe do Pix Automático: entre as regras da autorização está a possibilidade de usar uma linha de crédito quando falta saldo. Se você autorizar esse uso, um pote vazio pode virar dívida. Antes de confirmar, confira essa opção na tela da autorização.
Quando um pote acaba antes do mês
Vai acontecer, principalmente nos primeiros meses. O que fazer:
- Pare aquele gasto até o próximo pagamento, se for possível.
- Puxe do pote livre, nunca do pote das dívidas ou das contas fixas. Atrasar conta para cobrir mercado só troca um problema por outro com juros.
- Use o pote de imprevistos só para imprevisto de verdade.
- Anote o motivo. Se o mesmo pote estoura todo mês, o valor dele está errado, não você. No mês seguinte, tire de um pote que sobrou e coloque nele.
Não esqueça das contas que vêm uma vez por ano
O Banco Central lembra que contas como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar costumam parecer surpresa, mas voltam todo ano. Crie um pote para elas. Num exemplo simples, R$ 240 de material escolar por ano, divididos por 12 meses, dão R$ 20 por mês nesse pote.
Depois que os potes estiverem rodando, o das dívidas e o de imprevistos ganham prioridade sobre o resto. O guia sobre pagar dívida ou investir mostra a ordem.
Próximos passos
- Escolha de quatro a seis potes e dê um nome a cada um.
- Defina o valor de cada pote com base nos gastos do último mês.
- No próximo dia de pagamento, separe tudo antes de gastar qualquer coisa.
- Agende os Pix recorrentes dos potes ou prepare os envelopes.
- Crie um pote para as contas que vêm uma vez por ano.
Perguntas frequentes
O método dos envelopes funciona para quem recebe por semana?
Posso usar o cartão de crédito junto com os potes?
É seguro guardar dinheiro em envelope em casa?
O que fazer com o que sobra num pote no fim do mês?
Fontes oficiais consultadas
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