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Vale a pena parcelar a fatura do cartão? Faça a conta antes

Como comparar rotativo, parcelamento da fatura e empréstimo pessoal pelo CET e pelo total a pagar, com exemplo em números e a Calculadora do Cidadão.

  • Por Redação Investindo com Pouco
  • Atualizado em
  • 6 min de leitura
  • Nível iniciante

Parcelar a fatura vale a pena quando o custo total do parcelamento é menor que o de deixar o saldo no rotativo e menor que o de qualquer outro crédito que você consiga. A resposta não está no valor da parcela: está no Custo Efetivo Total (CET) e na soma de tudo o que você vai pagar. Com os números da proposta e uma calculadora do Banco Central, dá para fazer essa conta em poucos minutos.

Rotativo, parcelamento ou empréstimo: o que é cada um

Quando você paga só parte da fatura, o restante cai no crédito rotativo. Ele é automático e caro, e a Resolução CMN 4.549/2017, do Conselho Monetário Nacional (CMN), limita o uso: o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o saldo tem que ser quitado ou financiado em parcelas.

O parcelamento da fatura é um novo empréstimo, oferecido pelo próprio emissor do cartão. A mesma resolução exige que ele tenha condições mais vantajosas que as do rotativo, inclusive nos encargos.

O empréstimo pessoal é um crédito separado, de um banco ou financeira, que você usa para quitar a fatura. Ele pode sair mais barato ou mais caro. Só a comparação mostra.

Opção Por quanto tempo Onde ver o custo Ponto de atenção
Rotativo Até a próxima fatura Fatura, área de alternativas de pagamento Pela regra, o parcelamento tem que sair mais barato que ele
Parcelamento da fatura O prazo combinado Fatura e proposta do emissor As parcelas ocupam espaço nas próximas faturas
Empréstimo pessoal O prazo do contrato Proposta e demonstrativo do CET Compare antes e cuidado com golpe

Para o rotativo e o parcelamento da fatura, a Lei 14.690/2023 limita o total de juros e encargos ao valor original da dívida, para dívidas originadas a partir de 3 de janeiro de 2024. O guia sobre a fatura do cartão atrasada explica esse teto.

Onde achar o CET na fatura e na proposta

O CET junta juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação numa taxa só, expressa ao ano (Resolução CMN 4.881/2020). É o número certo para comparar crédito com crédito. O guia sobre o CET mostra cada parte dele.

Na fatura, desde julho de 2024, existe uma área chamada alternativas de pagamento (Resolução BCB 96/2021, do Banco Central, art. 9º). Ela tem que mostrar:

  • o valor do pagamento mínimo, com cada parte que o compõe (o valor total vem antes, na área de destaque);
  • quanto de encargos você paga no mês seguinte se pagar só o mínimo;
  • as opções de financiamento do saldo, da que custa menos no total para a que custa mais;
  • as taxas de juros mensal e anual e o CET de cada opção.

Numa proposta de empréstimo, a instituição tem que informar o CET antes da contratação e entregar o demonstrativo do cálculo, com o valor de cada componente em reais (Resolução CMN 4.881/2020, art. 7º).

Um exemplo com a conta feita

Imagine um saldo de R$ 1.000 que você não consegue pagar de uma vez. Os números abaixo são exemplo, não taxas reais de nenhuma instituição.

Proposta Parcelas Total pago Custo além dos R$ 1.000 Taxa mensal aproximada
A: parcelamento da fatura 10 de R$ 130 R$ 1.300 R$ 300 5,08%
B: parcelamento da fatura 12 de R$ 120 R$ 1.440 R$ 440 6,11%
C: empréstimo pessoal 10 de R$ 125 R$ 1.250 R$ 250 4,28%

Repare que a proposta B tem a menor parcela e é a mais cara: são R$ 140 a mais que a A só por esticar o prazo e subir a taxa. A C sai mais barata no total. Ela só ganha de verdade se o CET do contrato confirmar isso e se a parcela couber no seu mês.

As taxas da última coluna saem da Calculadora do Cidadão, como mostra a próxima seção.

Como conferir a taxa na Calculadora do Cidadão

A Calculadora do Cidadão é uma ferramenta do Banco Central, no site e em aplicativo. Para descobrir a taxa embutida numa proposta:

  1. Abra a opção "Financiamento com prestações fixas".
  2. Preencha o número de meses, o valor da prestação e o valor financiado (o saldo que você quer parcelar).
  3. Deixe o campo da taxa de juros mensal em branco e peça para calcular.

No exemplo, 10 meses, prestação de R$ 130 e valor financiado de R$ 1.000 dão cerca de 5,08% ao mês. Faça o mesmo com cada proposta e compare.

O Banco Central avisa que a calculadora serve de referência e não confere o cálculo do banco, porque pode haver custos que ela não considera, como seguros. Por isso, a decisão final é pelo CET informado e pelo total a pagar. Para converter a taxa mensal em anual sem erro, veja o guia sobre juros ao mês e ao ano.

O Banco Central também publica as taxas médias de cada modalidade, como cartão parcelado, cartão rotativo e crédito pessoal, por instituição. Serve para saber se a proposta que você recebeu está acima da média.

Antes de aceitar, confira estes pontos

  • Parcela que cabe. As parcelas entram nas próximas faturas como parte do pagamento obrigatório (Resolução BCB 96/2021, art. 11). Some a parcela às compras do mês.
  • Nada de rotativo em cima do parcelamento. Valor que já foi parcelado não pode voltar para o rotativo (Resolução CMN 4.549/2017, art. 2º, § 2º).
  • Limite ocupado. O valor financiado entra na análise de risco e na definição do seu limite.
  • Quitação antecipada. Se sobrar dinheiro depois, você pode quitar antes, com redução proporcional dos juros (Código de Defesa do Consumidor, art. 52, § 2º).
  • Outra instituição. A Lei 14.690/2023 dá direito de levar o saldo da fatura, mesmo já parcelado, para outra instituição, e proíbe o banco de origem de cobrar pela transferência. Para trocar dívida cara por um empréstimo, leia antes o guia sobre empréstimo para pagar dívidas.

Próximos passos

  • Abra a última fatura e anote o CET e o total de cada opção de financiamento.
  • Coloque cada proposta na Calculadora do Cidadão e compare as taxas mensais.
  • Escolha pelo menor total que caiba no seu mês, não pela menor parcela.
  • Peça a proposta escolhida por escrito, com o demonstrativo do CET.
  • Até quitar, use o cartão só para o que você consegue pagar à vista na fatura seguinte.

Perguntas frequentes

Posso quitar o parcelamento da fatura antes do fim?
Pode. O art. 52, § 2º, do CDC assegura quitar antes, no todo ou em parte, pagando juros e demais acréscimos menores na mesma proporção. Peça ao emissor o valor para quitar na data em que você vai pagar.
O emissor do cartão tem que oferecer o parcelamento da fatura?
A Resolução CMN 4.549/2017 permite que o saldo do rotativo seja parcelado, desde que em condições mais vantajosas que as do rotativo, mas não obriga o emissor a oferecer essa linha. Se não houver parcelamento, é preciso quitar ou buscar outro crédito.
E se eu atrasar uma parcela do parcelamento?
As parcelas entram nas faturas seguintes como parte do pagamento obrigatório. Se uma atrasar, os juros do atraso seguem a taxa combinada no próprio parcelamento, além de multa e juros de mora, conforme a Resolução CMN 4.882/2020.
Quanto tempo tenho para decidir sobre uma proposta de parcelamento?
Pelo Código de Defesa do Consumidor, a oferta de crédito tem que informar o prazo de validade, que deve ser de pelo menos dois dias. Use esse tempo para comparar o CET e o total com outras opções.

Fontes oficiais consultadas

Antes de decidir. Este guia é educativo e não substitui orientação profissional. Regras, taxas e valores mudam: confira sempre o que vale hoje na fonte oficial. Este site não vende produto financeiro, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituição. Leia o aviso legal.
Redação Investindo com Pouco

Escrito a partir de fontes oficiais. Achou algo errado ou desatualizado? Avise a redação: a gente confere, corrige e registra a data. Próxima revisão programada: 21 de abril de 2027. Veja a política editorial.

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